Time de Desenvolvimento com IA · Documento Conceitual
Como estruturar, operar e governar um time de desenvolvimento de software apoiado por IA dentro da Rede D'Or. Elaborado pelo time de Inteligência e Inovação.
1. Sumário Executivo
Público: todas as áreas
O que se propõe: a criação de uma área de desenvolvimento com IA, sob o time de Inteligência e Inovação, dedicada a entregar as ferramentas internas que hoje não encontram lugar no roadmap dos grandes sistemas: automações, painéis, validadores, integrações e aplicações departamentais.
Por que agora: o desenvolvimento assistido por IA mudou a economia do software. Uma demanda que antes exigia semanas de uma equipe passa a ser resolvida em dias por um time enxuto que orquestra agentes de IA, desde que exista um alicerce de padrões que garanta qualidade, segurança e governança. Este documento é esse alicerce.
Como: cada entrega nasce dentro de uma plataforma padronizada: containers serverless com custo proporcional ao uso (seção 6), infraestrutura declarada em código com três ambientes e ritos corporativos de mudança (seção 8), acessos pelo diretório oficial e isolamento por aplicação (seção 9), e revisão humana obrigatória sobre tudo o que a IA produz (seções 3 e 7).
O que se pede às áreas: validar os padrões aqui descritos, cada uma no seu domínio, e deliberar pela aprovação de um piloto com escopo controlado e critérios objetivos de avaliação (seção 13).
2. Contexto e Motivação
Público: todas as áreas
Três movimentos se encontram e criam a oportunidade:
- A demanda reprimida. Toda área acumula necessidades pequenas demais para virar projeto e grandes demais para continuar em planilha: controles manuais, conciliações, formulários, painéis. Sem canal oficial, parte delas vira solução improvisada, sem segurança, sem backup e sem dono (o chamado shadow IT).
- A mudança na economia do desenvolvimento. Com IA, o custo e o prazo de construir software interno caíram em ordem de grandeza. O gargalo deixou de ser escrever código e passou a ser decidir bem: arquitetura, segurança, qualidade e operação. É exatamente o que um time pequeno e sênior, apoiado por agentes de IA, entrega.
- A maturidade da plataforma. Containers serverless, infraestrutura como código e identidade corporativa integrada permitem operar dezenas de aplicações com governança superior à de um servidor tradicional, e custo próximo de zero quando ociosas.
Posicionamento: a área proposta é complementar às equipes de engenharia existentes, não concorrente. Ela atende a cauda longa de ferramentas internas e de inovação, seguindo os padrões corporativos e devolvendo ao canal oficial demandas que hoje escapam dele. Sistemas centrais e produtos assistenciais permanecem onde estão.
3. Conceito do Time
Público: todas as áreas
3.1 Princípios
- A IA propõe, a pessoa decide e responde. Todo artefato produzido por IA (código, teste, documentação) passa por revisão humana antes de valer. A responsabilidade profissional é sempre de uma pessoa nomeada.
- Padrões antes de volume. O time só escala a quantidade de entregas porque cada uma nasce no mesmo trilho (golden path); a exceção exige justificativa registrada.
- Tudo auditável. Código, infraestrutura, acessos e decisões ficam em repositórios e canais oficiais, com trilha completa.
3.2 Composição
O time é deliberadamente enxuto:
- Líder técnico / arquiteto: conduz os discoveries, responde pelos padrões e pela relação com Arquitetura e Segurança da Informação;
- Engenheiros orquestradores de IA: dirigem os agentes, revisam e assinam cada entrega; perfil sênior, responsável da concepção à operação;
- Design de produto (dedicação parcial): discovery de experiência e curadoria do design system;
- Agentes de IA: o "time virtual" que codifica, gera testes, faz a primeira revisão e mantém a documentação, sempre dentro dos padrões deste documento.
3.3 Modelo de operação
Cada demanda aprovada vira um projeto curto com dono único, que atravessa o ciclo da seção 4: discovery, construção assistida, homologação pela área solicitante e produção pelos ritos corporativos. O time trabalha em cadências curtas, com revisão das entregas junto às áreas e relatório executivo recorrente (seção 11).
4. Ciclo de Desenvolvimento com IA
Validação: Engenharia, Arquitetura e Projetos
O ciclo padroniza o caminho de toda demanda, com controle humano em cada transição:
| Etapa | O que acontece | Controle |
|---|---|---|
| 1. Triagem | A demanda entra pelo canal único (seção 11) e é avaliada por valor, esforço e risco. | Aceite do líder técnico e da área solicitante sobre o escopo. |
| 2. Discovery de arquitetura | Definição das camadas (seção 6.3), classificação dos dados (seção 9.3) e da criticidade, que determina o perfil de execução (seção 8.2), e escolha dos padrões aplicáveis. | Registro do discovery; exceções exigem justificativa. |
| 3. Construção assistida | Agentes de IA implementam dentro do golden path; o engenheiro dirige, revisa e ajusta continuamente. | Revisão humana obrigatória em todo pull request. |
| 4. Qualidade | Testes automatizados, análise estática e varreduras executam na esteira (seção 8.4). | Gates automáticos bloqueiam a integração sem aprovação. |
| 5. Homologação | A área solicitante valida em hml, em condições equivalentes às de produção. | Aceite formal da área é pré-requisito. |
| 6. Produção | Subida dentro dos ritos corporativos de mudança (seção 8.3). | Documentação da mudança e janela aprovada. |
| 7. Operação e evolução | A telemetria acompanha uso e saúde; o feedback vira backlog. | Métricas das seções 7 e 8 revisadas com as áreas. |
4.1 Orquestração de agentes especializados
A etapa de construção não usa um único modelo gigante para tudo. O fluxo opera com uma arquitetura multiagente com roteamento por demanda, inspirada no conceito de Mixture of Experts (MoE) das arquiteturas de modelos: assim como um modelo MoE ativa apenas os especialistas necessários para cada token, o fluxo ativa apenas os agentes necessários para cada demanda.
- Agentes especializados por papel: discovery, codificação por camada (aplicação, BFF, API), testes, revisão preliminar, documentação e infraestrutura; cada um com instruções, contexto e ferramentas restritos ao seu papel;
- Modelo dimensionado à tarefa: tarefas mecânicas e repetitivas (formatação, testes unitários, documentação) rodam em modelos menores e mais baratos; raciocínio de arquitetura e revisão crítica usam o modelo de maior capacidade. É o mesmo princípio dos perfis de execução da seção 8.2, aplicado à IA;
- Economia real de tokens: com contexto restrito, cada agente recebe apenas os arquivos e padrões relevantes à sua tarefa, em vez do projeto inteiro; o consumo é medido por agente e por projeto, compondo o custo da entrega (seção 8.9);
- Mínimo acesso também para a IA: o agente de codificação não enxerga segredos, e o agente de infraestrutura não altera código de aplicação; o princípio da seção 9.1 vale para pessoas, aplicações e agentes;
- Orquestração com controle humano: o engenheiro orquestrador (seção 3.2) dirige o conjunto, decide o roteamento nos casos ambíguos e revisa o resultado; os controles da tabela acima permanecem inalterados.
Nota de precisão técnica: Mixture of Experts, em sentido estrito, é uma técnica interna de arquitetura de modelos. Aqui o conceito é aplicado por analogia, no nível do fluxo de trabalho: especialização mais roteamento, com ativação somente do necessário. O benefício buscado é o mesmo: mais qualidade por tarefa e menos consumo por entrega.
5. Ferramentas e Plataforma
Validação: Engenharia, Arquitetura e Segurança da Informação
O ferramental privilegia o que a organização já usa, acrescentando a camada de IA com contrato corporativo:
- Desenvolvimento com IA: assistentes de codificação em modo agêntico, sob licenciamento corporativo. Critérios inegociáveis: os dados da empresa não treinam modelos de terceiros (retenção zero), o acesso se dá por conta corporativa (contas pessoais são vedadas) e o uso gera logs auditáveis;
- Repositórios e esteiras: Azure DevOps, já padrão da casa, concentrando código, pipelines, boards e trilha de auditoria;
- Plataforma de execução: Azure Container Apps e serviços gerenciados (seção 6), provisionados por Terraform (seção 8.1);
- Observabilidade: o ponto corporativo de monitoramento (seção 8.6);
- Padrões de IA versionados: prompts, agentes e templates ficam em repositório, com versão e revisão como qualquer código; a melhoria feita em um projeto propaga para os demais.
A adoção de qualquer ferramenta nova passa pelo discovery e pelas áreas de Arquitetura e Segurança da Informação, entrando neste documento antes de entrar no fluxo.
6. Arquitetura e Integração
Validação: Arquitetura e Engenharia
Como as soluções produzidas pelo time se integram ao ecossistema: padrões de arquitetura, framework em camadas (deploy, stack e design system) e reuso entre produtos.
6.1 Modelo de execução: containers serverless
Com o alto volume previsto de aplicações, o modelo de referência é o de containers serverless em vez de servidores completos. Cada aplicação é empacotada como imagem de container (padrão OCI) e executada em plataforma gerenciada, tendo o Azure Container Apps como serviço padrão (equivalente ao Cloud Run do Google). Os benefícios diretos: ausência de gestão de servidores (sem patch de sistema operacional e sem planejamento de capacidade por aplicação), custo proporcional ao uso e portabilidade do artefato, que protege a organização contra dependência de plataforma. Soma-se o ganho de segurança do isolamento por aplicação, detalhado na seção 9.1.
6.2 Critérios de enquadramento
- Azure Container Apps: padrão para aplicações e APIs internas.
- AKS: exceção justificada, para workloads que exijam orquestração completa.
- Máquinas virtuais e containers Windows: legado e casos que não executam em containers Linux.
- Serviços gerenciados: bancos de dados e mensageria são consumidos como serviço, nunca embutidos nos containers de aplicação.
6.3 Arquitetura de referência em camadas
Toda solução segue uma arquitetura padronizada composta por camadas bem definidas: aplicação (interface), BFF (backend for frontend), API de domínio e banco de dados. A composição varia conforme a natureza de cada solução, pois nem toda aplicação exige todas as camadas, e essa decisão é tomada na etapa de discovery de arquitetura, que abre todo projeto do time. O discovery não parte do zero: ele seleciona e combina os padrões pré-estabelecidos neste documento, garantindo soluções uniformes entre si, reutilizáveis e fáceis de operar e auditar.
- Ferramenta simples: aplicação + banco (ou aplicação estática, sem backend).
- Aplicação com integrações: aplicação + BFF + APIs de domínio.
- Serviço compartilhado entre soluções: API de domínio + banco, sem interface própria.
6.4 Camada de dados
O padrão para a camada de banco é o banco de dados centralizado da empresa, consumido como serviço gerenciado: cada aplicação recebe banco (ou schema) próprio dentro do serviço corporativo, com credenciais e permissões individuais. A centralização entrega de imediato backup, alta disponibilidade, aplicação de patches, monitoramento e administração únicos, e mantém os dados sob a governança e a trilha de auditoria da organização.
PostgreSQL em container é a alternativa de exceção, admitida somente com justificativa registrada no discovery de arquitetura e com ciclo de vida definido (prazo ou plano de migração para o serviço central). Exceções típicas:
- Provas de conceito e protótipos de vida curta, com dados sintéticos ou não sensíveis;
- Bancos efêmeros de desenvolvimento, testes e esteiras de CI, criados e destruídos por pipeline;
- Necessidade de extensões ou versões não disponíveis no serviço central (por exemplo, pgvector para busca vetorial em soluções de IA, ou PostGIS para dados geoespaciais);
- Cargas cujo padrão de uso degradaria o serviço compartilhado (ingestão intensiva ou processamento analítico pesado), enquanto não houver destino definitivo;
- Execução em rede segregada, sem conectividade com o banco central.
Quando a exceção é adotada, a responsabilidade por volume persistente, backup e recuperação passa a ser do próprio time, o que reforça o caráter excepcional da escolha.
6.5 Integração e reuso
A integração entre soluções acontece por APIs de domínio versionadas, nunca por acesso direto ao banco de outra aplicação. Capacidades usadas por mais de uma solução (autenticação, notificação, relatórios) tornam-se serviços compartilhados, e todo componente reutilizável entra no catálogo do time, encurtando as entregas seguintes.
7. Engenharia e Qualidade
Validação: Engenharia
7.1 Padrões e revisão
- Stack enxuta e padronizada: poucas tecnologias homologadas por camada (aplicação, BFF, API e banco), definidas neste documento e revisadas por ciclo; menos variedade, mais profundidade;
- Templates por tipo de solução: os projetos nascem de modelos prontos, com estrutura, segurança e telemetria já configuradas;
- Revisão em duas camadas: a IA faz a primeira passada (estilo, defeitos evidentes, aderência ao padrão) e uma pessoa faz a revisão decisiva; nada é integrado sem aprovação humana;
- Testes como requisito: cobertura mínima proporcional à criticidade, executada na esteira; a homologação não começa sem a esteira verde.
7.2 Métricas
O desempenho do modelo é medido desde o primeiro dia, em três famílias:
- Fluxo (DORA): lead time, frequência de implantação, taxa de falha de mudança e tempo de restauração;
- Qualidade: defeitos em produção por aplicação e retrabalho pós-homologação;
- Específicas de IA: proporção entre código gerado e código ajustado na revisão, e retrabalho atribuível à IA.
As metas são definidas no piloto (seção 13) e acompanhadas no relatório executivo (seção 11).
7.3 Documentação viva
A documentação de cada solução vive junto do código e é atualizada no mesmo pull request que altera o comportamento, com apoio dos agentes de IA. Documentação desatualizada é tratada como defeito.
8. Infraestrutura e Operação
Validação: Infraestrutura
Ambientes, esteira de deploy, observabilidade e operação das soluções entregues pelo time.
8.1 Infraestrutura como código
Toda a infraestrutura é declarada em código, com Terraform. Um módulo de "aplicação padrão" provisiona registry, aplicação, segredos, observabilidade, DNS e esteira; criar uma aplicação nova é instanciar o módulo por pull request, com revisão e trilha de auditoria completa. É esse padrão (golden path) que torna viável operar dezenas de aplicações com um time enxuto: a infraestrutura passa pelo mesmo fluxo de revisão do código.
O estado do Terraform (state) é remoto, armazenado em storage corporativo com criptografia, versionamento e travamento de execução (locking); o acesso é restrito à esteira, e alterações de infraestrutura ocorrem exclusivamente por pipeline, nunca por execução local.
8.2 Perfis de execução por criticidade
O custo é controlado desde a origem com perfis de execução definidos pela criticidade de cada ferramenta:
| Perfil | Aplicações | Comportamento |
|---|---|---|
| Econômico | Ferramentas de baixa criticidade e uso esporádico | Escala a zero: a aplicação não consome recursos quando ociosa, aceitando o cold start (latência de segundos na primeira requisição). Economia de recursos e custo desde o primeiro dia. |
| Padrão | Uso recorrente em horário comercial | Réplica mínima garantida no horário definido; escala a zero fora dele. |
| Crítico | Serviços de tráfego contínuo ou sensíveis a latência | Réplicas mínimas permanentes, health checks e plano dedicado quando o custo compensar. |
Diretriz FinOps: o consumo por aplicação é revisado mensalmente e o perfil é reclassificado conforme o uso real (detalhado na seção 8.9).
8.3 Ambientes e promoção
A infraestrutura opera com três ambientes, provisionados pelo mesmo módulo Terraform e, portanto, idênticos por construção:
| Ambiente | Papel | Quem atua |
|---|---|---|
| dev | Criação: desenvolvimento, integração e testes do time, com dados sintéticos ou anonimizados. | Time de desenvolvimento |
| hml | Homologação: validação funcional e aceite formal pela área solicitante, em condições equivalentes às de produção. | Área solicitante, com apoio do time |
| prd | Produção: uso oficial; mudanças entram somente pela esteira, nunca manualmente. | Usuários finais; operação pelo time |
A promoção entre ambientes segue os ritos corporativos de gestão de mudança: o aceite em homologação é pré-requisito, e a subida a produção ocorre com a documentação exigida e dentro das janelas específicas definidas pela organização. O artefato é o mesmo do início ao fim (build once, deploy many): a imagem homologada é exatamente a que entra em produção, sem reconstrução.
Retorno imediato (rollback): a plataforma mantém as revisões anteriores de cada aplicação, e o retorno à versão anterior é imediato, com possibilidade de transição gradual de tráfego entre revisões (blue/green). Como o banco de dados é centralizado (seção 6.4), as mudanças de esquema seguem o padrão expandir e contrair: cada versão do banco permanece compatível com a versão anterior da aplicação, permitindo o rollback da aplicação sem qualquer operação de volta nos dados.
Complementarmente, cada pull request pode gerar um ambiente de preview temporário, criado para a revisão e destruído na integração; com escala a zero, o custo dessa prática é próximo de zero.
8.4 Esteira única e herdada
Existe um pipeline padrão reutilizável, com estágios fixos: build, testes automatizados, análise estática, varredura de vulnerabilidades de imagem e dependências, publicação no registry e deploy por ambiente. Toda aplicação herda a esteira pronta; nenhum projeto monta pipeline do zero. A consistência entre dezenas de aplicações deixa de depender de disciplina e passa a ser estrutural.
8.5 Registry central e imagens base
As imagens são publicadas em registry central e construídas sobre imagens base padronizadas e mínimas, mantidas pelo time e com varredura contínua de vulnerabilidades. Quando a imagem base recebe correção, as aplicações são reconstruídas e republicadas automaticamente pela esteira, eliminando o risco clássico de containers desatualizados em produção.
8.6 Observabilidade por padrão
Logs estruturados, métricas, rastreamento e alertas são provisionados pelo próprio módulo Terraform e centralizados no ponto corporativo de monitoramento. Cada perfil de criticidade (seção 8.2) carrega objetivos de nível de serviço compatíveis. Ferramenta que nasce, nasce monitorada; não existe aplicação sem telemetria.
8.7 Segredos e identidade
Nenhuma credencial em código, imagem ou variável de esteira: os segredos vivem em cofre corporativo (Key Vault) e as aplicações acessam os serviços por identidade gerenciada, fechando com o modelo de mínimo acesso das seções 9.1 e 9.2.
8.8 Recuperação de desastre
Com a infraestrutura inteira declarada em código e os dados no banco central (coberto pelo backup corporativo), o plano de recuperação do parque de aplicações é o próprio repositório: reexecutar a esteira reconstrói os ambientes do zero, e o tempo de recuperação é o tempo do pipeline. A contingência deixa de ser um documento separado e passa a ser uma propriedade da arquitetura.
Os objetivos de tempo de recuperação (RTO) são declarados por perfil de execução (seção 8.2):
- Crítico: até 1 hora;
- Padrão: até 4 horas úteis;
- Econômico: até 1 dia útil.
O objetivo de perda máxima de dados (RPO) é comum a todos: os dados residem no banco central, com restauração pontual conforme a política corporativa de backup; arquivos e anexos ficam em storage gerenciado com redundância e exclusão reversível, provisionado pelo módulo padrão. A operação concentra-se em região única, com contingência garantida pela reconstrução via código.
8.9 FinOps e conformidade contínua
FinOps é a disciplina de gestão financeira de nuvem, operando no ciclo informar, otimizar e operar. Aplicada ao nosso modelo:
- Visibilidade total (informar): o módulo Terraform aplica tags obrigatórias de aplicação, área (centro de custo), ambiente e criticidade; recurso sem tag não provisiona. O custo é consolidado em painel por aplicação, por área e por ambiente, e cada área recebe mensalmente o extrato do que consome (showback), base para eventual repasse (chargeback) se a organização assim decidir;
- Otimização contínua: os perfis de execução (seção 8.2) são revisados mensalmente com dados reais de uso; CPU e memória são redimensionadas pela telemetria (right-sizing); aplicações sem tráfego por período definido são apontadas como candidatas a desativação, com aval da área dona;
- Controle (operar): toda demanda nasce no discovery com estimativa e teto de custo; cada aplicação e cada área têm orçamento com alertas em degraus (50%, 80% e 100%); estouro de teto abre ação imediata no backlog do time;
- O custo da IA também é medido: licenças e consumo das ferramentas de IA são apropriados por projeto, compondo o custo total de cada entrega. A transparência vale para a plataforma e para o próprio método de trabalho.
Conformidade contínua opera em três camadas, da prevenção à evidência:
- Preventiva (policy as code): políticas aplicadas na própria plataforma impedem o desvio antes que ele exista: somente serviços homologados, somente regiões aprovadas, tags obrigatórias, exposição pública bloqueada por padrão e imagens aceitas apenas do registry central. A violação não gera alerta, gera negação: o recurso fora do padrão simplesmente não sobe;
- Detectiva (drift): o estado real da nuvem é comparado continuamente ao declarado no repositório; alteração manual é revertida pela esteira e registrada;
- Evidencial (auditoria): cada mudança carrega automaticamente as suas evidências: o pull request, quem revisou, qual pipeline publicou e em qual janela de mudança. A auditoria deixa de ser um evento e passa a ser uma consulta;
- Recertificação de acessos: os grupos de acesso das aplicações (seção 9.2) passam por revisão periódica junto aos times de identidade, no ciclo corporativo vigente.
O resultado combinado: o custo é conhecido antes, acompanhado durante e atribuído a quem consome; e a conformidade não depende de inspeção posterior, porque o caminho fora do padrão é tecnicamente indisponível.
8.10 Acesso às aplicações e central de aplicativos
As aplicações não ficam espalhadas em endereços soltos: o acesso se dá por uma central de aplicativos. A proposta do time é usar o portal Meus Aplicativos do Microsoft Entra ID, nativo do ambiente Microsoft já contratado: como cada aplicação possui o seu App ID (seção 9.2), ela aparece automaticamente no portal, e apenas para os usuários com acesso concedido, sem nenhum desenvolvimento adicional. Alternativamente, uma central própria pode ser construída como mais uma aplicação da plataforma, caso a organização prefira uma vitrine com identidade visual própria.
Na camada de rede, as aplicações nascem com ingress privado, acessíveis somente de dentro da rede corporativa (incluindo VPN), complementadas pelas políticas de acesso condicional do diretório (dispositivo e localização). DNS interno padronizado e certificados TLS emitidos e renovados automaticamente completam o padrão. A topologia definitiva de rede permanece em discussão com Infraestrutura e Segurança da Informação (seção 14).
8.11 Ciclo de vida e descomissionamento
O ciclo de vida fecha do discovery ao desligamento:
- Escala a zero por padrão: aplicação ociosa não consome recursos (perfil Econômico, seção 8.2);
- Inativação por desuso: aplicação sem uso por mais de 6 meses é inativada, sempre com avisos prévios à área responsável; a telemetria da seção 8.6 é a fonte da medição;
- Descomissionamento formal: dados arquivados conforme a política de retenção (o banco central preserva o histórico), acessos e App ID revogados no diretório, e recursos destruídos via Terraform;
- Reativação de baixo custo: como tudo é código, reativar uma aplicação inativada é reaplicar o módulo; nada se perde além do custo evitado.
8.12 Modelo de sustentação
O modelo de sustentação (cobertura de atendimento, SLAs por perfil de criticidade e integração à central de serviços corporativa) será formalizado após o piloto (fase 1 do roadmap, seção 13), quando houver volume real para dimensioná-lo. Durante o piloto, o próprio time atende, em horário comercial.
9. Segurança da Informação e Conformidade
Validação: Segurança da Informação
Classificação de dados, LGPD, regras de uso de dados em ferramentas de IA, propriedade intelectual do código gerado e trilhas de auditoria.
9.1 Isolamento por aplicação e mínimo acesso necessário
O modelo de containers reforça diretamente o princípio do mínimo acesso necessário (least privilege). Em um servidor genérico compartilhado, todas as aplicações herdam o mesmo alcance: as credenciais, a rede e os arquivos de uma ficam expostos às demais. Em containers, cada aplicação é uma unidade isolada, com:
- Identidade própria (managed identity): a aplicação autentica-se nos serviços com identidade individual, sem senhas compartilhadas entre sistemas;
- Segredos próprios: cada aplicação enxerga apenas as suas credenciais, injetadas pela plataforma;
- Rede segmentada: regras de entrada e saída por aplicação; ela só alcança os serviços que declaradamente consome (o seu banco, as suas APIs);
- Permissões mínimas na camada de dados: credencial por aplicação com acesso restrito ao próprio banco ou schema no serviço central (seção 6.4);
- Superfície de ataque reduzida: a imagem contém somente o necessário para executar a aplicação, sem os pacotes e serviços de um servidor completo.
Esses controles vêm do modelo do Kubernetes, base das plataformas de containers modernas: namespaces (isolamento lógico por aplicação ou time), service accounts (identidade por workload) e network policies (tráfego permitido declarado explicitamente). O Azure Container Apps é construído sobre essa base e entrega os isolamentos de forma gerenciada, sem que o time precise operar um cluster; nos casos de exceção que utilizarem AKS, os mesmos conceitos são aplicados diretamente.
O resultado: cada aplicação alcança somente o que deve alcançar, o comprometimento de uma não expõe as demais, e o acesso de cada uma é declarado em código (seção 8.1), revisável e auditável.
9.2 Gestão de acessos pelo canal oficial (Entra ID)
Cada aplicação é registrada no Microsoft Entra ID (Azure AD) com o seu próprio App Registration (App ID), por ferramenta ou por área, conforme o caso. O acesso dos usuários é concedido por grupos do diretório corporativo, exatamente como nas demais aplicações da empresa. Com isso:
- Visibilidade oficial: a organização enxerga, no diretório, quem tem acesso a cada ferramenta, sem inventário paralelo;
- Governança inalterada: concessão e revogação seguem o processo e os times que já governam acessos hoje; o time não cria um fluxo próprio de identidade;
- Ciclo de vida automático: desligamentos e mudanças de área propagam pelo diretório e revogam acessos sem ação manual;
- Autenticação única (SSO): as políticas corporativas de MFA e acesso condicional se aplicam por padrão a todas as ferramentas;
- Auditoria central: logs de autenticação e de concessão no mesmo ponto usado pelas demais áreas.
Somado ao isolamento da seção 9.1, o modelo cobre as duas pontas: pessoas acessam aplicações pelo diretório oficial, e aplicações acessam serviços com identidade própria e mínima.
9.3 Dados, LGPD e uso de IA
- Classificação na origem: o discovery classifica os dados de cada solução (públicos, internos, pessoais, sensíveis), e a classificação determina os controles aplicáveis;
- Dados em ferramentas de IA: dados pessoais ou sensíveis não transitam por ferramentas de IA sem contrato corporativo com retenção zero; contas pessoais são vedadas; em desenvolvimento usam-se dados sintéticos ou anonimizados (seção 8.3);
- LGPD: minimização por padrão; cada solução registra no discovery a sua base legal e o seu ciclo de retenção, com o encarregado corporativo acionado sempre que houver dado pessoal;
- Propriedade intelectual: o código produzido pertence à empresa, e as ferramentas de IA são contratadas em modalidade que assegura essa titularidade;
- Trilha de auditoria: toda mudança é rastreável a um pull request, um autor e uma revisão; os logs de uso das ferramentas de IA compõem a trilha.
10. Design e Experiência
Validação: Design
- Design system corporativo como base: todas as ferramentas usam a mesma biblioteca de componentes, com o tema claro oficial e tema escuro derivado e documentado. Os agentes de IA constroem interfaces apenas com esses componentes, o que torna a consistência automática em vez de dependente de fiscalização;
- Uma cara única: navegação, terminologia e comportamento padronizados; quem aprende uma ferramenta do time sabe usar as demais, reduzindo treinamento e suporte;
- Discovery de experiência: demandas com interface passam por desenho rápido de fluxo antes da construção, validado com a área solicitante;
- Acessibilidade e registro: contraste adequado e navegação por teclado como requisito, textos de interface em registro formal e revisados;
- Referência viva: as soluções existentes servem de referência de experiência, e cada entrega realimenta o design system.
11. Governança e Gestão de Projetos
Validação: Projetos
- Porta de entrada única: as demandas entram por um canal oficial e formam um backlog visível; nada entra por fora dele;
- Priorização objetiva: valor, esforço e risco, avaliados com as áreas solicitantes em cadência regular;
- Papéis claros por entrega: a área solicitante define o problema e homologa; o time decide o como, dentro dos padrões; as áreas transversais validam os seus domínios, tendo este documento como instrumento;
- Registro de decisões: decisões de arquitetura e de escopo são registradas por projeto; as discussões entre áreas ficam na seção 14, com posição e encaminhamento;
- Prestação de contas: relatório executivo recorrente com as métricas da seção 7, o custo por aplicação da seção 8.9 e o andamento do roadmap da seção 13.
12. Riscos e Mitigações
Público: todas as áreas
| Risco | Mitigação |
|---|---|
| Defeito ou vulnerabilidade em código gerado por IA | Revisão humana obrigatória, testes e varreduras na esteira, gates de integração (seções 7 e 8.4). |
| Exposição de dados sensíveis a ferramentas de IA | Contratos corporativos com retenção zero, classificação de dados no discovery e vedação de contas pessoais (seções 5 e 9.3). |
| Proliferação desgovernada de ferramentas | Porta de entrada única, golden path e policy as code: o que está fora do padrão não provisiona (seções 8.9 e 11). |
| Dependência de fornecedor de IA ou de nuvem | Artefatos portáveis (containers OCI, Terraform) e padrões abertos; a troca de plataforma não exige reescrita (seção 6.1). |
| Concentração de conhecimento em poucas pessoas | Padrões escritos, documentação viva, infraestrutura como código e templates: o conhecimento fica no repositório, não em uma cabeça (seções 7.3 e 8.1). |
| Percepção de concorrência com as equipes de TI | Posicionamento complementar declarado, ritos corporativos e governança compartilhada com as áreas (seções 2 e 11). |
| Custo crescendo sem controle | Perfis de execução com escala a zero, teto e orçamento por aplicação com alertas, revisão mensal (seções 8.2 e 8.9). |
13. Roadmap de Adoção
Público: todas as áreas
A adoção avança em fases, e cada fase só começa quando a anterior cumpre critérios objetivos:
| Fase | Escopo | Critérios para avançar |
|---|---|---|
| 0 · Fundação | Validação deste documento pelas áreas; montagem do golden path (módulo Terraform, esteira, templates) e das políticas. | Padrões aprovados; plataforma provisionando uma aplicação de ponta a ponta. |
| 1 · Piloto | Duas ou três ferramentas de baixa criticidade, de áreas distintas, atravessando o ciclo completo da seção 4. | Aceite formal das áreas solicitantes; métricas da seção 7 coletadas; nenhum incidente de segurança; custo dentro do teto previsto. |
| 2 · Expansão controlada | Abertura do canal de demandas a mais áreas; formação do catálogo de serviços compartilhados; definição do modelo de sustentação (seção 8.12). | Fluxo sustentado com qualidade estável; relatório executivo recorrente estabelecido. |
| 3 · Operação plena | Área constituída, portfólio sob gestão contínua e padrões evoluindo por ciclo. | Deliberação das áreas sobre a consolidação. |
Sem datas impostas: o ritmo é ditado pelos critérios, e o piloto é deliberadamente pequeno para que o modelo prove valor com risco mínimo.
14. Pontos em Discussão
Registro aberto de pontos levantados, com posição do time e encaminhamento
| Nº | Ponto | Áreas envolvidas | Posição do time | Status |
|---|---|---|---|---|
| 01 | Serviços homologados para containers serverless | Arquitetura, Infraestrutura | O time propõe Azure Container Apps com Terraform como padrão, posicionado como evolução do padrão atual de deploy. Confirmar os serviços homologados na organização. | Aberto |
| 02 | Ingress privado e integração com a rede corporativa | Segurança da Informação, Infraestrutura | Aplicações internas devem nascer com ingress privado; proposta do time na seção 8.10 (central de aplicativos via portal Meus Aplicativos e acesso restrito à rede corporativa). Definir a topologia de rede em conjunto. | Aberto |
| 03 | Organização das assinaturas e landing zone | Arquitetura, Infraestrutura | O time propõe separação por ambiente e RBAC dedicado à plataforma; a estrutura de assinaturas e management groups será definida em conjunto com as áreas. | Aberto |
15. Registro de Alterações
| Versão | Data | Descrição |
|---|---|---|
| 0.10.0 | 08/09/2026 | Fluxo de desenvolvimento: orquestração de agentes especializados com roteamento por demanda e modelos dimensionados à tarefa (4.1), inspirada no conceito de MoE, com economia de tokens e mínimo acesso aplicado também aos agentes. |
| 0.9.0 | 07/09/2026 | Infraestrutura ampliada: central de aplicativos e acesso (8.10), rollback compatível com banco centralizado (8.3), estado do Terraform (8.1), RTO e RPO por perfil (8.8), ciclo de vida com inativação por desuso após 6 meses (8.11), sustentação pós-piloto (8.12) e ponto em discussão sobre landing zone. |
| 0.8.0 | 07/09/2026 | Diagramas: arquitetura de referência em camadas, ciclo de desenvolvimento em sete etapas e isolamento por aplicação (comparativo com servidor compartilhado). |
| 0.7.0 | 07/09/2026 | Estruturação de todas as demais seções: sumário executivo, contexto, conceito do time, ciclo de desenvolvimento, ferramentas, engenharia e qualidade, dados e LGPD, design, governança, riscos e roadmap; aprofundamento de FinOps e conformidade contínua. |
| 0.6.0 | 07/09/2026 | Infraestrutura completa: três ambientes (dev, hml e prd) com promoção pelos ritos corporativos de gestão de mudança, ambientes de preview por pull request, esteira única, registry central com imagens base, observabilidade por padrão, segredos e identidade, recuperação de desastre e FinOps com policy as code. |
| 0.5.0 | 04/09/2026 | Segurança: isolamento por aplicação e mínimo acesso necessário no modelo de containers (conceitos de Kubernetes) e gestão de acessos pelo canal oficial, com App ID por aplicação no Entra ID. |
| 0.4.0 | 04/09/2026 | Camada de dados: banco de dados centralizado como padrão e PostgreSQL em container como exceção, com critérios e exceções típicas. |
| 0.3.0 | 04/09/2026 | Arquitetura e Infraestrutura: containers serverless (Azure Container Apps) com infraestrutura como código (Terraform), arquitetura de referência em camadas com discovery de arquitetura, perfis de execução por criticidade com escala a zero e abertura dos primeiros pontos em discussão. |
| 0.2.0 | 04/09/2026 | Reorientação para o documento conceitual do time de desenvolvimento com IA; nova estrutura de seções e ambiente com marca neutra. |
| 0.1.0 | 04/09/2026 | Estrutura inicial do documento e publicação do ambiente. |